Ladrões de cobre, cabeças de cera e castelos de pedra

Nas Serras de Aire e Candeeiros, Monsanto é uma aldeia posta em sossego. Mas o sossego surge, por vezes, em excesso. Isso acontece quando os ladrões de cobre deixam a povoação sem quaisquer comunicações. Não muito longe dali, nas grutas de Santo António, as estalactites e as estalagmites podem ser pessoas, animais ou objectos. Depende do olhar de cada um.

Maria José Oliveira

Março 2014

Ao fim de uma manhã luminosa de Março, contam-se apenas cinco habitantes no centro da povoação. As portas do Clube Desportivo e Recreativo, uma antiga escola primária para rapazes, construída em 1890, ainda estão fechadas e um pequeno papel colado na maçaneta avisa que o café só abre às 14h30. Da muralha de montes em redor da aldeia também não chega qualquer ruído – Monsanto parece protegida pelos penedos de calcário que pontificam nesta zona do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

As vivendas de construção recente, propriedade de emigrantes nos EUA e no Canadá, convivem com casas senhoriais dos anos 40 e 50 e com velhas habitações há muito abandonadas. O cenário demográfico não é aqui muito diferente daquele que se observa no Interior do país: nos últimos anos o número de habitantes desceu (de quase 1500 para cerca de 900) e a população é maioritariamente idosa. As actividades que outrora ocupavam as gentes desta terra, na rota do Caminho de Santiago, estão hoje guardadas nas memórias dos mais velhos e num longo painel de azulejos azuis e brancos, colocado junto a uma fonte, no centro da aldeia: ali estão representadas as fábricas de peles, os teares, o fabrico de vassouras e de velas, os lagares de azeite e os moinhos. Da última oficina de vassouras restam apenas as paredes, que conseguiram resistir a um incêndio; os olivais plantados nos montes servem somente produções caseiras; e as mulheres da aldeia já não trabalham nos teares.

Das fábricas de curtumes, que chegaram a fazer de Monsanto um importante núcleo fabril, ficou a triste memória dos operários que perderam uma ou ambas mãos nas máquinas. Num banquinho junto aos quadros de azulejos, António Jorge, 79 anos, antigo trabalhador de uma fábrica de peles, conta que, na aldeia, “muitas pessoas ficaram mutiladas”. Entre elas, a sua mulher, que perdeu as mãos numa máquina de escorrer peles há cerca de 15 anos. Nunca conseguiu adaptar-se às próteses. “Inventei umas pulseiras de pele que ela coloca no pulso para prender os objectos. Faz tudo em casa, até consegue usar agulhas na costura”, diz, com indisfarçável orgulho.

Também o fabrico de velas quase desapareceu da aldeia. Orlando Filipe, contudo, insiste em manter o negócio familiar, herdado do avô e do pai, continuando a fabricar os cotos como o faziam os seus antepassados. “Chama-se vela do pingo”, explica, dispondo-se a fazer uma pequena demonstração do moroso trabalho que envolve fios de algodão pendurados numa roda presa em roldanas, e que vai sendo mergulhado, através da força manual, num cilindro com parafina a 70 graus. “Oh, não me pergunte quanto tempo isto demora: é preciso secar e voltar a mergulhar os fios até ficar na grossura desejada”, diz Orlando, que é também presidente da junta de freguesia, fazendo notar que ainda utiliza os dois grandes fornos de pedra, alimentados a lenha, para derreter a parafina. Os melhores clientes de Orlando, que desdenha das “chinesices que se vendem por aí” e que apenas faz as tradicionais velas de cor amarelada, são as igrejas de Lisboa. “Conheço-as todas.” Apesar de Fátima não ficar muito longe de Monsanto, o autarca vende pouco para as lojas que cercam o santuário, embora lhe peçam, de vez em quando, objectos em cera para pagar promessas. Num dos anexos da oficina, alinham-se diferentes moldes em gesso: intestinos, braços, cabeças de rapaz e de rapariga, um nariz, orelhas, pés, pernas, peitos, um coração. Mas também há gatos e porcos.

Zona de fronteira

Entre Monsanto e a aldeia mais próxima, Amiais de Baixo, corre uma estrada aos ziguezagues, ladeada por eucaliptos e arbustos. A meio do percurso, um rasto de rodas de carros convida a sair da estrada e a entrar por um desvio que dá acesso a uma colina – é dali que se pode ter uma vista geral sobre Amiais de Baixo, um aglomerado de casas baixas e um impressionante conjunto de gigantescas chaminés das fábricas de tijolo e telha, agora desactivadas. A colina é uma zona de fronteira entre dois concelhos: o de Alcanena, ao qual pertence Monsanto; e o de Santarém, que engloba Amiais de Baixo. Há mais de dois anos que o local ficou famoso: é ali que operam os ladrões de cobre, que, uma ou duas vezes por mês, deixam Monsanto sem quaisquer comunicações. (A aldeia tem, aliás, alguma familiaridade com a ladroagem, pois a origem lendária do seu nome envolve uma história onde os ladrões estão presentes: era uma vez um burro que tinha uma corda atada ao pescoço e presa ao sino da igreja; cada vez que apareciam ladrões, o burro alertava os habitantes com badaladas, pelo que os aldeões baptizaram o animal de “santo” e ao monte onde ele costumava pastar Monte Santo.)

No lugar preferido pelos ladrões para roubar os cabos de cobre, o caminho entre os seis postes tem já a vegetação pisada e um carreiro feito pelos habituais visitantes. “Trabalham descansados”, nota Orlando Filipe. À noite não há ali qualquer iluminação e os eucaliptos parecem ser uma boa camuflagem. Tanto que, nos últimos roubos, os ladrões levaram uma motosserra para facilitar e acelerar o processo: serraram alguns postes, os cabos caíram, eles carregaram a viatura e zarparam. O que se segue é já uma rotina conhecida da população: a Portugal Telecom (PT) instala novos postes e repõe o cabos e as ligações; os ladrões regressam.

“Já estamos a ficar habituados a isto”, diz Paula Rodrigues, funcionária da junta e também do posto dos correios, um pequeno balcão contíguo ao gabinete de Orlando Filipe. O edifício da junta, uma antiga escola primária para raparigas, tem, aliás, importantes valências: no rés-do-chão fica o Centro de Saúde e no primeiro andar está a única caixa Multibanco da aldeia. Não admira, por isso, que, em dias sem comunicações, esta seja uma das casas mais afectadas. Os correios e a junta ficam sem Internet e sem telefones fixos; os médicos não podem preencher as receitas electrónicas; e o Multibanco fica inactivo. Para agravar a situação, os telemóveis de qualquer uma das operadoras móveis têm pouca rede em qualquer local da aldeia.

Só a meteorologia ajuda. Quando chove os habitantes respiram de alívio, pois sabem que isso impede os ladrões de visitarem a colina. “Mas quando chega o tempo seco já sabemos que vamos ficar novamente sem comunicações”, afirma Pedro Nascimento, proprietário do stand de automóveis. Foi ele quem alertou vários órgãos de comunicação social para a situação, na esperança de o mediatismo acelerar a instalação de fibra óptica na aldeia. Pedro sabe mesmo as horas a que os ladrões costumam operar – entre a 1 e as 2 da manhã – porque navega pela Internet noite dentro. “Quando aquilo vai abaixo já sei o que aconteceu”, diz, sublinhando que mesmo a Internet móvel não é uma grande ajuda devido à escassez de rede.

Numa dessas noites, Pedro chegou a telefonar para a GNR, alertando que os ladrões ainda deviam estar na zona. Contudo, deparou-se com outro problema: a GNR de Alcanena respondeu que o lugar pertencia à GNR de Santarém; a GNR de Santarém respondeu que o lugar pertencia à GNR de Alcanena. Na verdade, a GNR pouco pode fazer perante as queixas dos moradores de Monsanto. O major Pedro Graça, do comando de Santarém, esclarece que a aldeia pertence à área territorial coberta pela GNR de Alcanena, mas as autoridades apenas podem tomar providências quando aqueles que são directamente afectados apresentam queixa. Ou seja, os donos dos cabos, neste caso a PT. Entre Novembro e Dezembro de 2013, a Guarda registou seis queixas da PT referentes aos roubos de cobre em Monsanto. Seguiram-se acções de patrulhamento e recolha de informações, mas Pedro Graça diz que, apesar de existirem suspeitos, ainda ninguém foi oficialmente identificado.

Ao longo destes primeiros meses de 2014, a GNR não recebeu reclamações da PT. Mas os roubos continuaram. E o mais recente foi já em Março, quando a chuva cessou e as temperaturas aumentaram. A PT repôs os cabos em tempo recorde, em menos de dois dias, mas a população de Monsanto diz não compreender a demora em capturar os ladrões. “Prender os gajos era mais fácil do que matar um coelho ou uma perdiz”, atira António Jorge.

Orlando Filipe diz que já perdeu a conta às vezes que reclamou junto da PT. Até hoje não teve resposta. Porém, no Verão passado, Monsanto acordou com uma boa nova: não muito longe da junta de freguesia, alguns operários da PT estavam a instalar três caixas para a fibra óptica. “Ficámos contentes. Finalmente íamos chegar ao século XXI”, conta Pedro Nascimento, “mas até agora nada aconteceu”. As caixas continuam lá, alinhadas junto a um muro de uma habitação, protegidas por uma fita de plástico vermelha e branca. As pedras do passeio, retiradas para a colocação das caixas, ou “armários”, como lhes chama Orlando, ainda não foram repostas.

“Pedimos desculpa pelo incómodo”

No Natal do ano passado, Monsanto ficou cinco dias sem comunicações, de 23 a 28. E só em Janeiro os postes ficaram sem os cabos de cobre por duas vezes. Pedro mostra uma longa sequência de mensagens no seu telemóvel, oriundas da PT. São todas iguais, mudando apenas as datas previstas de “resolução”: “Existe uma falha no servidor internet da sua zona, devido a roubo de cabos. Previmos resolução no prazo de 58 horas. Pedimos desculpa pelo incómodo. Obrigado.”

Contudo, o prazo da reposição dos cabos costuma exceder o prometido. “Já ficámos três semanas sem comunicações”, lembra Paula Rodrigues, observando que até as reclamações dos habitantes na junta começam a rarear.

“Continuamos a ficar isolados”, lamenta Orlando Filipe. O autarca já tentou solucionar a escassez de rede móvel. Contactou a Optimus e a Vodafone para saber se estas operadoras estavam interessadas em instalar uma antena na aldeia. Só a Optimus respondeu, enviando funcionários que, após uma ronda por Monsanto, decidiram que teriam ainda de realizar um “estudo de mercado”. Orlando, eleito como independente nas últimas eleições autárquicas, ficou com poucas esperanças.

A colocação de uma antena poderia ser um bálsamo para os problemas de tesouraria da junta. Com o dinheiro do aluguer do espaço, o autarca concretizaria alguns projectos: organizaria mais actividades no Centro Cultural, antiga Casa do Povo, para além das noites de fados e dos “bailaricos à antiga”; instalaria uma biblioteca no 1º andar do mercado com o acervo de sete mil livros doados à junta; e provavelmente poderia contratar um jardineiro para cuidar dos espaços públicos da aldeia – actualmente quem faz este trabalho é o próprio Orlando, que tem sempre na bagageira da sua carrinha um corta-relvas e tesouras para a poda.

O autarca só não conseguiria voltar a ter uma equipa de futebol como aquela que em 2009 jogou contra o Benfica e que, apesar de ter perdido por seis golos, não deixou de festejar e de dar alegria às gentes de Monsanto. Nesse dia, assaram-se cinco porcos no espeto. O registo fotográfico do jogo, realizado em Torres Novas, e as muitas taças ganhas pela equipa enchem agora o salão do Clube Desportivo e Recreativo. A colectividade, chefiada por João Lopes, um fã do Brasil, que todos os anos visita o país, emprega duas pessoas e abre diariamente às seis da manhã. Em época de caça aos tordos, aos Domingos, as portas abrem logo às cinco da manhã para acolher os caçadores que ali aquecem e tomam café antes de partirem para os montes.

Orlando Filipe é um entusiasta da natureza e, relevando a importância de a aldeia pertencer ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, encetou “conversações” com os responsáveis por aquela área protegida para que sejam realizadas “sessões de reeducação ambiental” em Monsanto. “Seria importante, sobretudo por causa dos incêndios”, afirma, apontando um monte onde a vegetação rasteira indica a recente passagem do fogo. Orlando tem de voltar ao trabalho. Defronte da sua casa, de construção recente, pastam algumas ovelhas. É preciso recolhê-las ao fim da tarde. Monsanto continua posta em sossego. Até ao próximo furto de cobre.

©osomeafuria Orelhas de porco e um bacalhau na gruta

Nos montes que protegem Monsanto, zonas de calcário do período Jurássico, há pedreiras de onde se extrai a alpinina, uma pedra calcária de cor rosada, exportada sobretudo para a Ásia; e não muito longe da aldeia, localizam-se as grutas de Santo António e de Alvados. Em Monsanto não há placas que indiquem o caminho para as grutas. Mas os habitantes têm sempre uma resposta rápida e recorrente à pergunta sobre qual o caminho a seguir: “É sempre em frente. Passa a igreja e é sempre em frente.” O problema é que a igreja fica numa bifurcação. Para onde seguir? Esquerda ou direita? Nova pergunta e a mesma resposta: “É sempre em frente!”. Só com alguma insistência, lá explicam que é para a esquerda e “sempre a subir”.

Sempre a subir, a paisagem vai tomando novos contornos. Os prados onde já despontam as flores primaveris dão lugar a olivais rodeados de muros de pedra, com as árvores plantadas sobre um campo de pedregulhos negros. Sem as oliveiras, poder-se-ia pensar numa paisagem lunar. Alguns quilómetros depois, surge uma pequena aldeia. E depois outra. E, por enquanto, nada de placas indicativas das grutas. Até que aquilo que parece ser um celeiro abandonado, com os portões de ferro negro fechados, é, afinal, a “boîte Grutas”. Portanto, as grutas estão muito perto. Finalmente, uma placa de um azul desbotado: “Visite as grutas de Santo António. As mais belas grutas de Portugal. A 500 metros.”

Do lado esquerdo, encontra-se o restaurante “A gralha”, que, no interior, reproduziu em gesso um pequeno conjunto de estalactites e estalagmites; depois, subindo um caminho de gravilha, entra-se logo no parque, coberto por uma estrutura de betão, onde estão a bilheteira e a loja de recordações. Inicialmente parece um local abandonado. O restaurante, uma construção em madeira, está fechado. E não se vê vivalma. Até que, sentada numa cadeira de plástico, atrás de uma das colunas que sustentam um telhado de ondas de betão, vislumbra-se Isilda, a apanhar o sol do princípio da tarde. Atrás dela, estão expostos nuns placards de madeira vários desenhos de crianças que contam a história da descoberta da gruta de Santo António. Foi em Junho de 1955, quando dois homens que trabalhavam perto da Pedra do Altar, um altíssimo relevo calcário no cume do monte, tentavam apanhar um pássaro que entrara por uma fenda num rochedo. O pássaro foi então quem lhes deu a conhecer uma galeria subterrânea com seis mil metros quadrados, três lagos naturais e estalactites e estalagmites de tamanhos e formas variados. Datadas em mais de 50 mil anos, abriram ao público em 1971 e, actualmente, compõem o roteiro de grutas das serras, que integra a de Alvados, Mira de Aire e a dos Moinhos Velhos.

Isilda diz que talvez seja ela a fazer a visita guiada. Conferencia com o colega que está na bilheteira e quando regressa, confirma que será ela a guia. Pede apenas para esperar mais 10 minutos. “Pode ser que apareça mais alguém. Esta manhã tivemos aqui duas escolas.”

Ao fim do tempo estipulado, não surgiu ninguém. Isilda encaminha-se para a entrada da gruta, abre o portão de grades e acende as luzes – a escuridão, que não permite vislumbrar nada, não desaparece totalmente, mas as lâmpadas, colocadas em nichos, dão ao visitante a possibilidade de observar longos corredores e as salas de estalactites e estalagmites. Isilda pede para que ninguém se desvie do caminho e leva consigo uma pequena lanterna, que vai apontando quando quer chamar a atenção para algum pormenor mais interessante. O primeiro lago é o da felicidade, com um fundo coberto de moedas. “Muitas pessoas atiram moedas e pedem um desejo, mas têm de o fazer de costas voltadas para o lago”, explica. Um pouco mais à frente, mais um lago, desta vez o da cascata, onde se pode ver uma estalactite com uma altura de três metros e meio, descomunal, com o tronco rugoso. “A estalactite cresce um centímetro por século, por isso, esta terá 35 mil anos”, diz, enquanto sobe e desce com a lanterna pela coluna rochosa. Mais uns passos sobre o chão molhado, devido aos cursos de água, e encontra-se o lago da palmeira, assim baptizado por ter, no centro, uma estalagmite a que só faltam as folhas para parecer mesmo uma palmeira em pedra. É aqui a zona mais funda da gruta. Olha-se para cima e até ao tecto, onde se vê uma chaminé natural, por onde é feita a ventilação, contam-se 43 metros de altura.

A temperatura ali dentro é de 16 graus centígrados, afirma Isilda, mas não parece. As paredes de rocha, por onde escorrem fios de água, tornam o ambiente mais frio. De quando em quando, vêem-se um ou dois morcegos num voo assustado e nervoso. “São os únicos que não pagam bilhete”, brinca Isilda. Que, a meio da visita guiada, decide começar a fazer exercícios de pareidolia: “Olhar para as formas calcárias é quase como olhar para as nuvens.” Daí em diante, todo o interior da gruta de Santo António se transforma num museu de figuras, com Isilda sempre a apontar a lanterna para as rochas em que ela reconhece pessoas, animais e objectos. “Aqui temos um pato; aqui podemos imaginar um castelo de areia; ali um crâneo e em baixo um rosto de princesa.” Na estalagmite mais fina de toda a galeria, com dois metros de altura, viu-se “um bastão de pastor” e num conjunto de colunas (junção das estalactites com as estalagmites) estava “um órgão de música gigante”.

Após subir três degraus, um novo corredor deixa-a perante “a Nossa Senhora de Fátima em cima de uma árvore, com os três pastorinhos a rezar, de joelhos, e ao lado um casal.” Isilda ri-se. Confidencia que, entre os guias, apenas ela faz isto, de forma a “chamar a atenção das pessoas para a beleza” da gruta. Mais à frente, “umas orelhas de porco” numa estalactite em folha, e logo a seguir “uma medusa”. “Aqui temos um coelho. O que vê nas orelhas?” Ensaiaram-se algumas respostas, que Isilda deverá ter considerado como disparatadas. Ela explica: “Um casal de namorados a dar um beijinho e ele não tem roupa atrás, as cuecas estão para baixo.” Pois, de facto, é mesmo isso.

A visita está quase a terminar, mas antes uma protuberante “tromba de elefante” parece querer sair da rocha; em cima, vê-se “um bacalhau a secar”; e, finalmente, junto à escada que dá acesso à saída, “umas maminhas” repousam no chão.

Isilda volta a apagar as luzes e fecha o portão de grades. Daí a alguns minutos voltará a sentar-se na cadeira de plástico, a apanhar os últimos raios de sol da tarde. “Voltem sempre”, despede-se. Ali à volta apenas se ouvem alguns cantares de pássaros. É uma zona posta em sossego, tal como Monsanto.